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COMO A CRISE FINANCEIRA AFETA A VIDA DOS IDOSOS

Preocupação deve ser redobrada nesse momento. Especialista dá dicas de como organizar as finanças

Por Mariana Parizotto

O primeiro bimestre de 2015 já ficou marcado na vida da população brasileira pela série de aumentos e ajustes em produtos, serviços e impostos, que elevaram a inflação e acabaram diminuindo a renda e o poder de compra. Em janeiro, o índice de desemprego subiu e ocupou a pior posição desde 2013.

O Portal Plena conversou com o educador financeiro Reinaldo Domingos para saber o impacto da crise sobre a vida dos aposentados. Leia os principais trechos da entrevista:

De que maneira a crise financeira de 2015 pode afetar os idosos/aposentados?

Primeiramente, é importante termos em mente que passamos por um momento recessivo, e que temos que ter muito cuidado quando falamos sobre uma crise financeira. Temos que buscar tratar esse tema de forma preventiva, com educação financeira, para que os impactos do momento financeiro que passamos sejam os menores, principalmente na vida dos idosos. Contudo, no caso de uma crise financeira mais profunda, temos que ter em mente que todos serão afetados, independente da idade, com a volta da inflação e da alta do dólar, que refletem em toda cadeia do consumo. Outro ponto é que medidas drásticas já estão sendo tomadas como ocorreu com a reformulação nas regras da pensão que ocasionou consideráveis prejuízos para esses casos e outras medidas ainda podem ser tomadas. Assim, o momento é de grande preocupação, mas, mais do que ficar em posição defensiva, esperando o pior acontecer, é hora de buscar mudar com o objetivo de repensar a vida financeira e sair desse período de crise de maneira fortalecido.

 

Os reajustes de impostos anunciados pelo governo impactam a vida financeira dos aposentados?

São vários os aumentos anunciados nesse início de ano e cada um tem um impacto, assim, temos que trata-los individualmente, vamos lá:

•         Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito para o consumidor – Como a alíquota mudou de 1,5% para 3% ao ano (o equivalente à alta de 0,0041% para 0,0082% por dia) nas tomadas de crédito, quando um aposentado precisar de um empréstimo ou fizer qualquer outra ação de crédito, até mesmo uso de cartão de crédito, terá que pagar mais.

•         Juros dos financiamentos imobiliários – Quem está financiando um imóvel pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), com valor acima de R$ 750 mil, sofrerá um pouco mais para pagar, já que a taxa de juros anual passará de 9,2% para 11% para os não-clientes.

•         Imposto dos combustíveis - a tributação sobre a gasolina e o diesel terá um aumento de R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel e já foi informado que esses valores serão repassados diretamente para a população, em resumo, se pagará mais para abastecer os carros.

•         Tarifa de luz – Com a tarifária de cor vermelha para o consumo de energia elétrica, se teve um aumento de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos desde janeiro. Isso porque passou a vigorar o sistema de bandeiras tarifárias – que contará com as cores verde, amarela e vermelha – indicando as condições de geração de energia no país. Enfim, aumento de energia.

•         Juros Selic – O Banco Central elevou os juros básicos (Selic) da economia de 11,75% para 12,25% ao ano. Esse fato também tem reflexo direto na tomada de crédito ou para os aposentados que possuem empréstimos com juros obtidos, já que significa juros em alta para o consumidor. Por outro lado essa decisão é interessante para quem pretende investir, pois aumenta a rentabilidade.

Como os idosos podem se preparar para não terem o nome na lista de inadimplentes? Quais “armadilhas” devem evitar?

Temos hoje mais de 20 milhões de aposentados pelo INSS no Brasil, destes somente uma pequena porcentagem é independente financeiramente, ou seja, possuem qualidade de vida utilizando o dinheiro recebido do INSS e algum complementado, como previdência privada ou reservas que ao longo de suas vidas conseguiram juntar, a situação é alarmante. O problema é que ao se aposentarem apenas pelo INSS, os rendimentos caem drasticamente, em contrapartida, com o avançar da idade, inevitavelmente, as pessoas acabam gastando muito com remédios e consultas médicas. Com a crise isso piora ainda mais. Assim, grande parte dos aposentados não é independente financeiramente, parte dependem de parentes (filhos), parte estão a beira de pedir esmolas e uma boa parte tem que continuar trabalhando para manter o padrão de vida, isto porque o valor do beneficio recebido pelo INSS não consegue manter seus gastos e viver dignamente. É preciso repensar todo processo de aposentadoria, mas, para quem já aposentou também é possível reverter esta situação. Para isso é necessário aplicar a educação financeira. Nunca é tarde para conquistar os sonhos, com a expectativa de vida cada vez mais perto dos 100 anos, é possível para os aposentados realizar cada vez mais sonhos, mas isso deve ocorrer por meio da educação financeira e na mudança do comportamento perante o dinheiro.

Fonte: Portal Plena http://goo.gl/1RnkYn

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