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UM OUTRO OLHAR

Chegar aos 60 anos de bem com a vida é um projeto que começa bem antes, com a construção de redes sociais e um bom planejamento financeiro

A velocidade das mudanças nas etapas que fazem parte da vida está alterando o olhar da sociedade sobre o envelhecimento no país. Se até agora o imaginário do brasileiro sobre a aposentadoria tem sido cercado de imagens sobre chegar aos 60, parar de trabalhar e curtir a vida, daqui para a frente as coisas tendem a mudar. É o que pensa o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), João Bastos Freire Neto. De acordo com ele, se os brasileiros continuarem pensando em parar de trabalhar aos 60 estarão condenando o país, que não terá condições de dar assistência a uma população idosa que será cada dia maior. Além disso, não dá para esperar os 60 anos para sair por aí e ser feliz. O melhor é começar agora.

“Atualmente, as pessoas levam uma vida muito consumida pelo trabalho, deixando de lado a família, o lazer, as férias. Elas não constroem redes sociais e passam a vida aguardando chegar a determinada idade para depois curtir. Mas quem nunca andou de bicicleta durante a vida dificilmente não vai aprender depois que entrar na terceira idade”, compara. Na visão do geriatra, não dá mais para pensar que só porque uma pessoa ultrapassa a barreira dos 60 anos ela perde sua capacidade produtiva. “De um modo geral, encaramos o envelhecimento como algo ruim, que as pessoas fazem de tudo para evitar ”, critica. O desafio, portanto, é criar oportunidades para que as pessoas aos 60 ou 70 sejam produtivas, já que suas chances de contribuir para a sociedade são muito grandes. “A felicidade não está somente em parar de produzir, é preciso criar uma rede de relacionamentos e atividade para evitar as doenças e a depressão.”

Para a terapeuta ocupacional e mestre em saúde do idoso pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cecília Melo Neves Xavier, a aposentadoria é um desafio, principalmente para aqueles que param de trabalhar. Em sua pesquisa de mestrado ela entrevistou adultos de ambos os sexos, com nível de escolaridade e posição socioeconômica variados, com idade entre 60 e 73 anos, que se aposentaram e pararam de trabalhar. A ideia era descobrir de que maneira eles conseguiram dar novo significado e sentido à sua vida. Ao fim do trabalho, chegou à conclusão de que a aposentadoria pode ser uma fase de continuidade das ocupações, e também uma abertura para o novo.

Engenheiro civil com especialidade na área nuclear, Elton Guedes, de 63, participou da pesquisa de Cecília. Ele se aposentou em 2010 e depois disso, para desacelerar, trabalhou durante um ano dando consultoria para uma empresa. Em seguida, encerrou suas atividades profissionais. “Hoje, levanto cedo, vou à academia, resolvo as coisas e faço o que gosto”, explica.

Para preencher seu tempo, Elton viaja com a família, faz pequenos cursos de culinária, recebe os amigos em seu sítio, em Lagoa Santa. No dia 11 de novembro viaja para Cancun, depois passa o Natal Luz em Gramado (RS) e no fim do ano vai para Porto Seguro (BA) com a família. “Considero que minha vida anda muito boa. Tenho tempo para curtir o meu netinho que nasceu e todas as pessoas de quem gosto. Não me arrependo de ter me aposentado de modo algum”, diz. Ele já recebeu convites para cancelar a aposentadoria e voltar à ativa e sabe que seria fácil fazer isso. “Mas agora que estou com saúde e posso aproveitar a vida não quero mais ficar preso.”

NO PRÓPRIO RITMO A opção de Ruth Necha Myssior, de 70, professora do curso de serviço social da PUC Minas e coordenadora da Universidade Aberta ao Idoso na PUC Contagem, foi desacelerar aos poucos. Ela se aposentou aos 60, mas continuou trabalhando. “Dar aula faz parte da minha vida. Trabalho com idosos na PUC há 20 anos e considero que ainda tenho muito a transmitir e a aprender”, observa. Foi só no ano passado que ela decidiu reduzir a sua carga horária. Desde março de 2014, aplica um programa de preparação para a aposentadoria numa estatal mineira. “As pessoas precisam entender que hoje em dia aposentadoria não significa ir pra casa e vestir um pijama. Se elas não forem preparadas para se aposentar, a saída do mercado terá muitos reflexos negativos. Precisamos de tempo para planejar o nosso projeto de vida”, afirma.

Especialista em terceira idade, Ruth utiliza seus conhecimentos para aplicar à própria experiência. “Desde que reduzi a carga horária de trabalho, houve uma mudança em minha rotina. Tenho mais tempo para mim e para fazer o que gosto, como ir ao cinema, ler, viajar, mesmo ainda estando presa ao semestre letivo na universidade. O que muda é o olhar. Percebemos que estamos seguindo um curso inevitável e que, mesmo assim, ainda há muita vida por aí. Desde que a gente tenha saúde e possa cuidar de nós mesmos e valorizar o que temos, está tudo bem. Hoje falamos de aposentação, que é a aposentadoria voltada para a ação, e não para a inatividade”, explica.

4 PILARES DO ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Saúde
A cada dia que passa, as pessoas de 60 anos ou mais praticam atividade física, sabem o que é bom para a saúde, não fumam ou já pararam de fumar, capricham na dieta. Essas são iniciativas que estão sob o seu domínio de decisão, já que cada um escolhe o próprio comportamento. Isso significa que muita gente opta por levar a vida de maneira a chegar bem aos 80.

Planejamento financeiro

Há algum tempo os brasileiros perceberam que a aposentadoria do INSS não será suficiente para a velhice e, diante disso, passaram a fazer economias para essa fase da vida. A ideia é fazer reservas para chegar à aposentadoria com dinheiro no bolso. Assim é possível viajar, ir ao cinema, festas, tudo muito longe do estereótipo da vovozinha na cadeira de balanço.

Conhecimento
Ao envelhecer, as pessoas começam a fazer cursos, mestrado, especialização e até mesmo curso superior. A busca pelo conhecimento não para ao longo da vida e não deve ser encerrada só porque as pessoas entraram na terceira idade.
Capital social

Hoje, as famílias são menores do que antigamente. Para compensar isso será preciso formar uma rede de amigos e de relacionamentos sociais que preencham a vida depois da aposentadoria. Mas não é preciso esperar 60 anos para começar a fazer isso. Quanto mais cedo essa rede for tecida, melhor.

Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/10/19/noticia_saudeplena,150886/idosos-redescobrem-a-terceira-idade-com-saude-e-novos-projetos-de-vida.shtml

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